Estreia em Moçambique da obra “Prima Facie”: uma reflexão profunda sobre género e justiça

 A peça de teatro “Prima Facie”, escrita pela dramaturga australiana Suzie Miller, estreia-se pela primeira vez no continente africano, mais propriamente, em Moçambique, com o apoio do ÍNTEGRA – Programa de apoio ao Combate à Corrupção, financiado pela União Europeia e implementado pela AECID.

Traduzida para mais de 25 idiomas e apresentada internacionalmente, “Prima Facie” tem gerado importantes debates sobre estereótipos de género no sistema judicial e sobre como as estruturas da justiça continuam a reflectir valores e práticas patriarcais.

Em Moçambique, esta primeira produção nacional,  dirigida por Expedito Araújo,  traz uma abordagem inovadora: um monólogo interpretado por 11 atrizes, que dão voz à personagem Tessa Ensler, advogada de defesa criminal especializada em casos de agressão sexual. A estreia está marcada para 4 de dezembro, oferecendo ao público moçambicano uma narrativa intensa e provocadora, que questiona a neutralidade da justiça e revela como preconceitos de género influenciam decisões judiciais e silenciam vítimas.

Como complemento à peça, realiza-se no dia 5 de dezembro o debate “Julgar sob Perspetiva de Género”, que reunirá representantes do sistema de justiça e da sociedade civil. O encontro pretende aprofundar as questões levantadas em palco e promover um diálogo aberto sobre os desafios e oportunidades para incorporar uma verdadeira perspetiva de género no funcionamento da justiça moçambicana.

Este espaço de reflexão permitirá a partilha de experiências, análise de práticas institucionais e identificação de caminhos para fortalecer uma justiça sensível às desigualdades estruturais entre homens e mulheres.

O apoio do Programa ÍNTEGRA a esta iniciativa cultural integra-se na sua componente transversal de género, que procura promover uma justiça mais igualitária e estimular a transformação social através da arte, do diálogo e da participação pública.

A estreia de “Prima Facie” em Moçambique representa, assim, um marco significativo e uma oportunidade para reforçar a ligação entre cultura, direitos humanos e justiça baseada na igualdade.